A ESQUERDA BRUZUNDANGA CONTRA A LIBERDADE

O Paraíso cubano

O Paraíso cubano: sem fome, sem crime, sem capitalismo, sem liberdade

Em sua palestra no auditório do Estadão, em São Paulo, a blogueira cubana Yoani Sánchez criticou a posição do governo brasileiro em relação aos direitos humanos em Cuba: “Falta dureza para o tema dos direitos humanos. No caso do Brasil, há muitos silêncios. Recomendaria um posicionamento mais enérgico do governo, pois o povo não esquece”. Sobre os protestos que amargou na Bahia – onde até puxaram seus cabelos – afirmou que veio preparada: “Já havia recebido ameaças pela Internet”.

O infantilismo da Esquerda Bruzundanga conseguiu irritar até aquele senador petista com fama de leguminoso, que deve ter ajudado a armar o circo de horrores e agora passa, por sua civilidade, por um traidor da causa. Ele sequer conseguiu assentar o mini Führer vermelho de chapeuzinho fashion que tentava coagir a blogueira a assinar um documento, berrando para puxar o coro dos fanáticos: “Ela não vai assiná! Não vai assiná! Assina aí! Assina aí!”, logo depois de terem acusado a cubana de ser uma mercenária e uma agente da CIA. Isso é o que a Esquerda Bruzundanga chama de debate democrático:

Yoani, que, aliás, defende o fim do bloqueio econômico a Cuba, a seu ver usado pelos comunistas para justificar o fracasso do regime, faz um tour de conferências por vários países. Já era uma celebridade antes da Esquerda Bruzundanga produzir o escândalo midiático que só fez atrair mais atenção e granjear admiradores para a blogueira, mobilizando políticos, jornalistas e até agentes policiais: após os tumultos no aeroporto e no “debate” em Salvador, foi-lhe oferecida uma escolta policial.

Em 2007, a revista Time elegeu Yoani uma das pessoas mais influentes do mundo. Era uma dissidente jovem, inteligente, bem informada, que desafiava a ditadura cubana com crônicas do cotidiano de Cuba em seu blog Generación Y, um dos mais lidos da rede. Formada em Filologia Hispânica, ela havia sido convidada a visitar outros países, mas tinha seu passaporte retido pelas autoridades cubanas. Estava proibida de sair da Ilha – como a maioria da população de Cuba.

Pode ser que a blogueira dissidente tenha sido liberada agora como uma forma de propaganda maquiavélica, típica dos socialistas, da reforma migratória que passou a vigorar em Cuba a 14 de janeiro de 2013, neutralizando a lei de restrição de saída do país vigente desde 1961. Os cubanos já podem viajar para fora! Podem mesmo? Mais uma propaganda enganosa: quantos cubanos deixarão a Ilha se sua população ganha em média 17 dólares mensais?

Embora tenha se preparado para as agressões verbais, Yoani ficou chocada, mais tarde, com os protestos que irromperam no que deveria ser uma sessão tranquila, na Câmara dos Deputados, onde ela tentou novamente ver o documentário Conexão Cuba Honduras, de Dado Galvão, onde ela é entrevistada, e que havia sido censurado pelos Bruzundangas no evento de Salvador.

Na Câmara, entre os manifestantes mais ruidosos estava um servidor da Casa, Rodrigo Grassi Cademartori, vulgo Rodrigo Pilha, secretário no gabinete da deputada federal Érika Kokay (PT-DF). Enquanto parlamentares da oposição tentavam ouvir Yoanis, o funcionário, em horário de trabalho, com o crachá de servidor escondido sob a camiseta, berrava do fundo do plenário, acompanhado por dois manifestantes: “Deixa os movimentos sociais entrarem!”. Do lado de fora, oito Bruzundangas tentavam passar por cima dos seguranças para adentrar à força no Plenário.

Outro funcionário público, este da Presidência, participou da reunião realizada na embaixada de Cuba, quando foi distribuído um dossiê acusando Yoani de estar a serviço da CIA. O embaixador teria pedido aos Bruzundangas apoio para desacreditar e perseguir a blogueira durante sua viagem. Entre incontáveis Bruzundangas, Jussara Seixas, editora do Blog da Dilma, atendeu ao pedindo fazendo campanha contra a cubana que chamou de  “blogueira rola bosta”.

Em coletiva à imprensa, Yoani comentou a ação do embaixador cubano (denunciada pelo senador Álvaro Dias) como uma tentativa de matá-la ética e moralmente frente aos seus leitores. Embora os luminares da Esquerda Bruzundanga continuem a venerar o jurássico ditador Castro, indo pedir periodicamente sua bênção na desgraçada ilha pintada como Paraíso (fiscal?), parece que há algo de podre no reino da Dinamarca, que faz com seus atletas (os de Cuba, não os da Dinamarca) desertem ao pisar em terra estrangeira, quando têm a oportunidade de fazê-lo durante os campeonatos internacionais.

E isso acontece a despeito de os atletas, supostamente modelos de cidadãos patrióticos, serem controlados com o maior rigor pelo regime cubano. A reforma migratória de 2013 não incluiu os atletas profissionais. Segundo o chefe de migração cubano Lamberto Fraga, eles continuarão enfrentando restrições e dependerão de permissão especial para poder viajar para fora do país. Nesse contexto, é espantoso o número de atletas que, a cada ano, desertam de Cuba em campeonatos no exterior:

12 de março de 2008: Cinco jogadores de futebol cubanos desertam nos EUA.

13 de março de 2008: Um dia depois mais dois jogadores de futebol da seleção cubana desertam nos EUA.

19 de junho de 2012: Cinco jogadores de basquete cubano desertam em Porto Rico.

13 de outubro de 2012: Quatro jogadores de futebol da seleção cubana desertam no Canadá.

20 de fevereiro de 2013: Três jogadoras de vôlei da seleção cubana desertam na Inglaterra.

Menos sorte tiveram os dois boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que tentaram desertar no País dos Bruzundangas, durante os Jogos Pan-Americanos de 2007. Localizados pela Polícia Federal, os dois atletas foram encaminhados a Havana pelo então ministro da Justiça, Tarso Genro, sustentou que os pugilistas não haviam solicitado asilo ao Brasil e pediram espontaneamente para serem remetidos a Cuba. Os cubanos não podiam imaginar que a grande nação dos Bruzundangas, com fama de democrática, iria caçá-los e mandá-los de volta ao Paraíso, do qual estupidamente quiseram escapar. Sobre esse caso horripilante escreveram as advogadas Hamana Dias e Hérica Amaro:

O ministro Tarso Genro, defensor das razões humanitárias, negou asilo […] a dois boxeadores cubanos que, em 2007, após o Panamericano, no Rio, pediram para refugiar-se neste país, já que receavam perseguições em Cuba. Todavia, inexplicavelmente, o governo brasileiro devolveu-os a Fidel Castro, que os encarcerou. Ou seja, o Estado brasileiro ignorou as regras internacionais necessárias à concessão de asilo político, pois tratou os cubanos como se não fossem titulares de direitos internacionais […]. Caso os cubanos representassem o Brasil na Corte Internacional de Justiça ou na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, se em Cuba eles tivessem liberdade suficiente para questionar a decisão do Brasil, possivelmente o país seria condenado. [1]

Graças ao nosso então ministro da Justiça duas almas cubanas desviadas foram salvas da perdição. Que exemplo inspirador e exaltante! O mundo deveria aprender conosco. Os próprios cubanos deveriam aprender a amar Cuba e jamais desertá-la. Enquanto esses ingratos tentam fugir do Paraíso (fiscal?), os luminares da Esquerda Bruzundanga fazem fila para entrar lá.

O próprio Tarso Genro, já eleito governador do Rio Grande do Sul, causou furor ao anunciar que, ao invés de ir para uma capital europeia nas férias de janeiro de 2011, iria para Cuba com toda a família – com  despesas pagas pela mesma. Antes, Tarso esteve pelo menos duas vezes em missões oficiais na Ilha: em 2005, como ministro da Educação, e em 2009, como ministro da Justiça.

Não sabemos se existe alguma relação entre as constantes viagens de Tarso Genro ao Paraíso (fiscal?) cubano e a ocultação, por razões de segurança, no Portal Transparência, dos gastos de seu gabinete em 2012 (R$303.257,00), quase três vezes maior que em 2011 (R$116.068,80). Os lançamentos dizem respeito principalmente a viagens. As despesas do governador em 2012 foram superiores a todas as diárias gastas no ano pela maioria das autarquias estaduais.

Há algo de podre no reino de Bruzundanga…


[1] DIAS, Hamana Karlla Gomes; AMARO, Hérica Rodrigues do Nascimento. Concessão de asilo político no Brasil. Respeito às normas de Direito Internacional ou conveniência diplomática?. Jus Navigandi, Teresina, ano 15, n. 2533, 8 jun. 2010. Disponível em: <http://jus.com.br/revista/texto/14997&gt;. Acesso em: 21 fev. 2013. Leia mais: http://jus.com.br/revista/texto/14997/concessao-de-asilo-politico-no-brasil#ixzz2LaZkyXPR.

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